A cidade é tão intensa que você se adapta e nem se dá conta disso, e quando percebe já está tecendo elogios à gastronomia, ao profissionalismo e até a existência das Marginais.
É aquele papo, a poesia é dura e concreta, mas só dela existir já vale a pena.
Vão te chamar eternamente de louca por ter optado, por livre e espontânea vontade, trocar o Rio por SP e você terá que lidar com isso eternamente.
Eu sei bem o que é lidar com uma mesma resposta a vida inteira.
Experimenta ter um sobrenome Szczepanowski e apresentar seu documento para um desconhecido.
Todo esse bla-bla-bla acima é somente para falar o seguinte:
Esqueça tudo que eu falei. Pelo menos se você estiver pisando em solo carioca.
Não sei os outros, mas toda vez que o avião abre sua porta e eu sou rodeada por daquela umidade e cheiro de maresia eu penso:
– Pqp! Como eu consigo viver longe daqui?
A ultima vez que havia tocado o chão havia sido em Congonhas. Lugar de pessoas sérias, apressadas e vestidas.
Ao tocar solo carioca parece que tudo muda.
Seus músculos dão uma relaxada. Se você está de rabo de cavalo acredite, você vai balançá-lo meio garota de Ipanema feelings. Você vai escutar barulho. No Santos Dumont as pessoas falam, as pessoas quase gritam e as pessoas mostram muito mais as pernas! Juro!
É bizarra a diferença de comportamento! Passem a reparar!
E já contagiada com esse ritmo carioca de ser ao descer a escada rolante, olho para um lado, olho para frente, para trás e…
Dá licença que eu vou fazer esse percurso no lado esquerdo!!
Estou no Rio! E só quem mora em São Paulo sabe o gostinho que é em um ataque de rebeldia dar um passo para o lado e curtir uma descida do lado esquerdo sem ferrar a vida de ninguém.
Malandragem pura.